O que é eletrocardiograma?
Saber o que é eletrocardiograma e como é realizado, é um dever de todo profissional de enfermagem e de medicina.
Afinal trata-se de um exame de rotina que realiza o diagnóstico de várias condições patológicas que estão envolvidas direta ou indiretamente com o nosso coração.
O que é eletrocardiograma?
O eletrocardiograma é uma exame que registra os sinais elétricos do coração.
Trata-se de um teste indolor que é utilizado para detectar doenças e alterações do funcionamento cardíaco.
Foi descrito há cerca de anos por Willem Einthoven, e hoje é muito popular por ser de baixo de custo, rápido e fácil de realizar.
Trata-se de um dos principais exames complementares que são realizados em rotinas em urgência em emergência, e também em clínicas especializadas.
Além disso, o eletrocardiograma tem outra vantagem: Apresenta uma elevada sensibilidade para a realização de diagnósticos de importantes doenças cardíacas.
Qual é a indicação para a realização de um eletrocardiograma?
As principais justificativas para que haja uma indicação da realização de um eletrocardiograma é:
- Descobrir causas de dores no peito;
- Avaliar problemas cardíacos que está relacionados ao coração, como desmaio, tontura, falta de ar, cansaço severo;
- Identificar disritmias;
- Avaliar o estado de saúde do coração;
- Finalidade pré-operatória;
- Avaliação do coração após infarto do miocárdio e endocardites;
- Após a realização de cirurgias cardíacas ou cateterismo cardíaco;
- Avaliar o funcionando pós operatório de marca-passo cardíaco;
- Avaliar o efetividade de terapia medicamentosa para o coração;
- Avaliar a função cardíaca durante o exame físico;
- Dentre outros.
Condições e fatores que podem interferir nos resultados do eletrocardiograma!
Algumas condições por provocar uma alteração dos resultados do ECG, como:
- Gravidez;
- Ascite;
- Obesidade;
- Variações anatômicas como o tamanho do tórax e localização do coração dentro da caixa torácica;
- O paciente se movimentar durante a realização do ECG;
- Fazer uso de tabaco antes do exame;
- Praticar exercícios físicos antes do exame;
- Alguns medicamentos;
- Desiquilíbrios hidroeletrolíticos, como excesso ou baixo nível de potássio, cálcio ou magnésio no sangue.
Como realizar a leitura de um eletrocardiograma?
Para você entender como é feita a leitura do eletrocardiograma e o cálculo da frequência cardíaca, vamos precisar de compreender como se comporta o eletrocardiograma normal, dentro do papel milimetrado.
É justamente nesse papel milímetrado que fazemos a análise do eletrocardiograma.
Qual é o significado do papel milimetrado?
O papel milimetrado está calibrado a 25 mm por segundo e é onde são analisados através de dois eixos: um eixo horizontal e outro vertical.
Cada um dos quadrados menores tem 1 mm de altura e 1 mm de comprimento..
Eixo Horizontal
O eixo horizontal faz a medição do tempo e ela é realizada sempre da esquerda para a direita.
Cada quadrado menor tem 1 mm de lado e equivale a 0,04 segundos, ou seja, a velocidade é lida por milissegundo (milímetros por segundo).
Através desse eixo portanto, é realizada a leitura e avaliação da frequência cardíaca.
Se os as ondas do ECG está mais distantes uma das outras, temos uma frequência cardíaca mais lenta.
Como realizar a contagem da frequência cardíaca no ECG?
A contagem da frequência cardíaca é realizada através da soma de dos intervalos QRS.
Mais precisamente, a contagem da velocidade de contração cardíaca é realizada contando quantos espaços entre as ondas R.
Esses espaços sãos chamados de intervalo RR.
Você pode notar que o intervalo RR contém todas as ondas e espaços do eletrocardiograma sendo por isso, muito útil na avaliação da frequência cardíaca.
Para você saber qual é o valor da frequência cardíaca do paciente através do ECG, basta você aplicar a seguinte fórmula:
FC = 1500/RR
Onde RR, é a quantidade de quadrados menos na horizontal dentro do intervalo entre duas ondas R .
Assim você pode avaliar se o paciente está normocárdico, com taquicardia ou bradicardia.
Bradicardia
Ocorre bradicardia quando o intervalo RR é mais longo e o paciente apresenta uma frequência cardíaca menor do 50 batimentos por minuto.
Taquicardia
Na taquicardia, o intervalo RR é mais curto e o paciente apresenta uma frequência cardíaca maior do que 100 batimentos por minuto.
Eixo Vertical
Já o eixo vertical do ECG, onde fazemos a leitura de baixo para cima, nos dá a condição de avaliar a voltagem, que são os milivolts.
Cada quadrado menor, temos 0,01 milivolts.
É por ele que vamos avaliar as ondas do eletrocardiograma.
Análise das ondas no ECG
A derivação 2D é mais fácil de estudar e por isso foi a nossa escolha .

Fonte: Thaler (2013).
Onda P
A onda P é a primeira onda do ECG e ela equivale a despolarização atrial.
Alterações nessa onda, sugerem problemas atriais podendo ser tanto do átrio direito quanto do átrio esquerdo, ou de ambos.
Realizando a análise sempre na direção da esquerda para a direita, a onda P tem que ser menor do que 3 mm na horizontal, para ser considerada normal.
Em outras palavras, para que a onda P seja considerada normal, ela tem que ocupar no máximo três quadrados pequenos na horizontal.
Com relação à altura, ela deve ter cerca de 2mm e meio de altura ou até 0,25 mV.
Intervalo PR
O intervalo PR é o espaço que se inicia na onda P e se estende até o complexo QRS, e ele deve ter na horizontal entre 3 e 5 mm para ser considerado normal.
Esse intervalo indica a velocidade de condução nervosa que ocorre dos átrios para os ventrículos através do nodo atrioventricular.
Se o intervalo PR estiver mais longo do que 5 mm, isso irá sugerir um bloqueio atrioventricular.
Complexo QRS
A despolarização e consequente contração dos ventrículos ocorre durante o complexo QRS, sendo que as ondas Q e S são sempre negativas e a onda R é positiva.
Esse complexo deve ser menor do 3 mm na horizontal para ser considerado normal.
Quando o complexo QRS está maior do que 3 mm na horizontal, sugere bloqueio de ramo.
Segmento ST
O segmento ST é formado pelo espaço situado entre o fim do complexo QRS e o início da onda T.
Ele corresponde ao intervalo que ocorre entre o fim da despolarização e o início da repolarização dos ventrículos.
Para ser considerado normal, o segmento ST deve estar nivelado na horizontal de acordo com a linha basal.
Quando ele está desnivelado para cima, há uma condição chamada de supradesnivelamento de ST.
Por outro lado, se o desnivelamento está para baixo, o paciente está com uma condição chamada de infra desnivelamento de ST.
O desnivelamento de ST sugere doenças coronarianas.
Onda T
Mostra o momento da repolarização dos ventrículos e ela deve ter 30% do tamanho do complexo QRS para ser considerado normal.
Portanto, para verificarmos se o eletrocardiograma está normal, pegamos a derivação D2 e fazemos a análise do eixo horizontal e vertical.
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Dica importante
Antes de realizar a leitura do eletrocardiograma, dê uma verificada se a velocidade está em 25 milímetros por segundo e a calibração está em “N’.
Caso não tiver, você pode ter uma alteração na leitura do eletrocardiograma.